Compartilho com vocês um poema que escrevi recentemente em um acampamento que estive em Caxambu.
O Pedro de lá, o Pedro daqui, o Pedro em nós, o Pedro em mim
O coadjuvante é revelado:
Satanás, aquele que nos quer peneirar como o trigo refinado.
O protagonista é apontado:
“-Jesus, estou pronto a te seguir tanto para a prisão como para a morte”.
O autor da história dá sua fala:
O Cristo é preso, levado à frente do povo.
Julgado, humilhado, sozinho, por todos.
Pedro, de longe, acompanhava com seus olhos marejados, como um amigo sem coragem.
Do meio daquela multidão, que seguia o momento, surge uma voz:
-Você é amigo dele!
Mas impensadamente Pedro responde: -não o conheço!
-É sim! Te vi com ele.
-Já te disse que não!
Com temor de ser reconhecido, pela terceira vez respondia:
-Não sei do que vocês estão falando!
Antes que pudesse terminar sua fala, se fez ouvir o cacarejo de sua consciência que a gritos, como em dores de parto, o alertava:
"-Eu o neguei e ele havia me avisado. Me sinto um nada!
O Pedro de lá, o Pedro daqui, o Pedro em nós, o Pedro em mim.
Pensada ou impensadamente, todos temos um pouco de Pedro.
Então Pedro saiu a chorar amargamente, corria para longe como quem corre sem rumo.
O arrependimento bateu como pedra lançada em vidraça fina que com pouco esforço se estilhaça.
Quebrado, quebrantado, se fazia novo.
Um novo Pedro nascia então.
Dias após, Cristo já ressuscitado aparecera a Pedro e alguns outros.
Aquela voz doce, do meu Cristo, o perguntava:
-Pedro, tu me amas?
-Sim, mestre.
-Então apascenta as minhas ovelhas... Pedro, tu me amas?
-Sim, mestre.
-Apascenta as minhas ovelhas... Pedro, tu me amas?
-Mestre, tu sabes de todas as coisas.
Três negações substituídas por três confissões.
O Pedro de lá, o Pedro daqui, o Pedro em nós, o Pedro em mim.
Pensadamente, “escolhidamente”, todos podemos ter um pouco de Pedro, aquele que se arrependeu e mudou.
João Raphael de Andrade
ABUense
Discente de Letras
UNIFAL/ MG
João Raphael de Andrade
ABUense
Discente de Letras
UNIFAL/ MG
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